quinta-feira, 20 de maio de 2010

Jornalismo e Memória

Marcos Silva Palacios concluiu o doutoramento em Sociologia na Universidade de Liverpool em 1979. Actualmente, é professor Titular de Jornalismo na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia e professor Catedrático visitante na Universidade da Beira Interior, em Portugal. É jornalista profissional e actua na área de pesquisa e ensino de Comunicação, com ênfase na área do Webjornalismo, Jornalismo Comparado e Novas Tecnologias da Comunicação.

No passado dia 29 de Abril de 2010 deu uma conferência na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, pólo de Ciências da Comunicação, acerca da relação entre jornalismo e memória.

Jornalismo e Memória: estabelecendo contextos e alimentando a História

Marcos Palacios começa por afirmar que a relação entre memória e jornalismo é uma relação paradoxal: por um lado jornalismo é actualidade - "O Jornal de ontem só serve para embrulhar peixe"; e por outro, o jornalismo constitui, em si só, um processo de registo sistemático de memória.

Hoje em dia, o que importa é a velocidade da informação, não a sua duração. "Vivemos em tempos líquidos" Bownam, e num tempo em que o jornalismo é mais centralizado do que alguma vez foi, onde fica a memória?

Palacios aborda três etapas deste processo: as antecedências, as incidências e as consequências.

A nível das antecedências o professor começa por dizer que a nossa memória é artificial desde o momento em que um ancestral nosso riscou a pedra e perenizou os primeiros sinais indicativos do que ali estava em acção. "A história é a reconstrução incompleta do que não mais existe".
O duplo papel do jornalismo, ora como espaço vivo de produção de actualidade - lugar de agendamento imediato, ora como produtor de registos sistemáticos do quotidiano, tem a sua raiz histórica no meio urbano.
O jornal passou a ocupar o lugar onde outrora estiveram o galo, o sina das igrejas e a posição do sol na abóbada celeste da marcação do tempo. No séc XIX descobre as cidades como fonte de notícias e "toma a cidade como seu assunto".
Por contar tantas estórias, o jornalismo é memória em acto, memórias enraizada quer no concreto, quer na imagem - é o presente transformado em notícia que amanhã será passado relatado, "o primeiro rascunho da história".
Para um historiador, o jornalismo assume o papel de arquivo como tantos outros livros de onde tira elementos e os transforma em relato histórico, verdade - "memória passa a ser verdade histórica".
O professor foca ainda o aspecto da memória jornalística como produto. No acto de produção de notícias, a memória é varias vezes accionada, e ela representa um factor importante na medida em que: serve de ponto de comparação do evento presente com eventos passados; fornece a possibilidade de estabelecer analogias; é um convite à nostalgia; e permite a desconstrução e reconstrução de novos factos à luz de acontecimentos do passado. - "A memória é uma recorrência na construção do relato do presente".

Relativamente às incidências, Marcos Palacios começa por dizer que o fluxo contínuo de informação da actualidade é a "ração diária da realidade".
Foca o papel das redes telemáticas que completam o estabelecimento da continuidade dessa mesmo fluxo e alerta para a constante alteração das formas de perceber e ler o mundo, deixando no ar as questões: "Fim do Jornalismo? Fim das intermediações?"
O pólos de emissão tornaram-se ciberalizados havendo uma junção de múltiplas vozes. "A informação deixou de ser um produto escasso, a ser super abundante. Torna-se escassa a atenção".
A comunicação rizomática e a libertação do pólo emissor multiplicaram os lugares de memória em rede, tornando cada usuário um potencial produtor de memórias, de testemunho. O professor acredita que pelo menos parte desses registos sobreviverão, assim como sobreviveram as marcas gravadas nas pedras ou nas pinturas rupestres.

Esta "nova forma de vida" traz consequências não só ao nível da produção e do consumo, como também ao nível da interacção. A audiência tornou-se pró-activa - monitorizando a produção jornalística. O jornalismo está agora presente em bases de dados - cada vez mais é possível usar elemento independentes da redacção como informação de contextualização e cada vez mais interessa a memoria.
Temos vindo a socializar a informação, fazendo da sua memória uma memória colectiva, armazenada não por produtores, mas pelos utilizadores.

Num espaço a comentários, Marcos Palacios explicou o porque desta realidade.
"A velocidade dos nossos tempos é de tal ordem de grandeza que nos sentimos compelidos a guardar as imagens do presente para uma visita posterior, num futuro mais calmo, que teimamos em sonhar que virá a existir"

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Exercício de Jornalismo Assistido por Computador

Tema:
Aquecimento Global

Este tema, inserido no contexto de ciência ambiental, é de enorme actualidade e, para além disso, é uma problemática que exige solução imediata. As alterações climáticas são uma realidade, causada pela contínua acção irresponsável e despreocupada do ser humano, perante o planeta terra e os seus recursos.
Uma maior informação no que diz respeito às causas e às consequências pode, e deve, alertar a população mundial sobre quais as formas de se envolver e ser activo nesta "missão" de luta contra o impacto ambiental.

Links:

National Geographic
http://environment.nationalgeographic.com/environment/global-warming/?source=NavEnvGlobal
A National Geographic é uma sociedade, fundada nos EUA, que publica uma revista e produz documentários acerca do planeta, que tem como objectivo despoletar a preocupação da população em preservar o ambiente. É um site altamente credível e importante para enriquecer a informação acerca desta temática, porque apresenta quizs (de informação, de ajuda à acção...), artigos (quer acerca das causas, efeitos, explicação científica, soluções), casos demonstrativos (através de notícias). É, portanto, um site muito completo.

Nasa
http://www.nasa.gov/worldbook/global_warming_worldbook.html
A Nasa é uma organização governamental que tem como objectivo ser pioneira na exploração espacial, descoberta científica e investigação aeronáutica, sendo, por isso, uma fonte igualmente credível de informação. Acerca do tema, ela apresenta um artigo sucinto de explicação que aborda todos os subtemas que lhe estão associados.

Os seguintes links de informação foram encontradas como link's relacionados no site oficial do filme "An Incovinient Truth" produzido e realizado por Al Gore.

The Alliance for Climate Protection
http://www.climateprotect.org/climate-challenge/the-facts/
Esta Aliança foi fundada em 2006, por Al Gore. Tem mais de 5 milhões de membros por todo o mundo, e é uma organização não lucrativa e não partidária que está empenhada em educar a comunidade global quanto à urgência de implementar soluções para o crise climática. A Aliança procura apresentar escolhas e mudanças que possam proteger o planeta para futuras gerações. É um site tão credível como os anteriores, uma vez que é gerido pela Aliança, com os direitos devidamente protegidos. O facto de ela ter sido fundado por Al Gore aumenta o seu nível de credibilidade. Para além de descrever os factos, este site dá especial foco à urgência de soluções e, por isso, pareceu-me importante destacar.
Para além disso, o site dá a possibilidade de nos juntarmos à aliança ou, tão simplesmente, contribuir com donativos.

Take Part
http://www.takepart.com/issues/climate-change/3
Take Part é uma comunidade online independente que liga os seus membros directamente a artigos que os inspirem a contribuir, a agir num determinada contexto e sobre um determinado problema, quer a nível social, politico, cultural e, inserido na temática deste trabalho, ambiental. A comunidade inclui cidadãos, activistas e pequenas e grandes organizações não lucrativas.
No campo de ambiente são apresentadas uma série de publicações, sendo que a que está no link acima transcrito é específica às mudanças climáticas. Apresenta o tema numa linha cronológica que foca alguns acontecimentos chave. Para além disso, explica as causas e efeitos por região. É um site muito completo, com uma abordagem diferente e com alta credibilidade, embora que não tão elevada quanto os anteriores sites.
Também aqui é possível a participação de cada um.

United Nations Environment Programme
http://www.unep.org/climatechange/Introduction/tabid/233/language/en-US/Default.aspx
Esta organização coordena as actividades ambientais das Nações Unidas e, como tal, apresenta um grau de credibilidade altíssimo. Faz uma análise detalhada em relação ao tema abordado, com referência a entidades de apoio, trabalho feito, publicações, e ciência. É também completo e expõe importantes dados.

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